Quinta-feira, Março 11, 2010

O BANHO II


Esquece que é você,

Nem lembre o que é você...

Rompa a distância dos milímetros,

Envolva a estátua viva com mãos incandescentes,

Indecentes, impertinentes, reticentes...

Sorva toda a volúpia que seus sentidos possam apurar,

Contorne as curvas esguias e insinuantes,

Ultrapasse as barreiras do banho quente,

Me esquente mais, me ferva,

Misture o jato d'água com sua saliva,

Deixe que os pingos de amor escorram lentamente,

Demarque seu espaço, adentre seu terreno

E venha tomar posse do que sempre foi seu.

A pele está quente e vermelha,

Os olhos estão cerrando de desejo,

O sangue lateja e faz pulsar os recônditos do prazer

Já não se é mais eu e você...

Os corpos aderidos, pela goma indissolúvel

Se deslizam em relevos e reentrâncias,

Se completam, se encaixam,

Buscam-se em frenesi,

Se bastam por si,

E a água, que tudo lava e tudo leva,

Vem lamber os tecidos ingurgitados,

Onde não se sabe mais o que é rosto,

O que é ventre, o que é perna,

O que dorso, o seu colosso,

O meu pescoço, é tudo nosso,

Já não tarda a explosão do vulcão

Que derrama sua lava,

Majestosa e insolente,

Que seca e petrifica

Com a água do chuveiro.

E nada pode separá-los nesse momento.




(Poema de Lílan Maial, extraido do site: http://www.lilianmaial.com/visualizar.php?idt=576760&liberar_erotico=1 / Foto de John Andresen, site: http://www.johnandresen.com/models/christianb/index.html )

0 comentários: